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Rio de oportunidades
14/02/2012
Rio de Janeiro desponta como principal polo de atração de investimentos do País e coloca o mercado imobiliário em ebulição. Conheça as oportunidades que estão surgindo no Estado.

Dentro de quatro anos, quando a tocha olímpica chegar ao Rio de Janeiro, o que se verá é muito mais do que uma cidade turística. A cidade tem passado por transformações profundas que prometem alçá-la a um novo patamar. Depois de ceder durante anos o protagonismo do cenário econômico para São Paulo, a capital carioca - e todo o Estado - entra em cena novamente para se tornar uma grande vitrine de negócios.

Antiga capital da República, o Rio ocupa o posto de segunda maior metrópole do País, com 6,3 milhões de habitantes e 2,4 milhões de domicílios, segundo o Censo de 2010. Seu retorno aos holofotes é fruto de uma conjunção de fatores que têm como pano de fundo o próprio crescimento econômico do Brasil. O primeiro elemento propulsor veio com a descoberta de petróleo na camada pré-sal, anunciada em 2006. A cadeia do pré-sal está atraindo novas indústrias e prestadoras de serviços para a Região Metropolitana do Rio, chacoalhando a economia e criando fluxos migratórios em cidades até agora pouco exploradas.

Em seguida veio a escolha da cidade como uma das subsedes da Copa de 2014 e como sede da Olimpíada de 2016. Muito além da instalação de parques esportivos, os jogos trouxeram pesados investimentos em transportes e infraestrutura e abriram novas áreas de desenvolvimento imobiliário. A zona Oeste, vetor natural de crescimento da capital, receberá três linhas de BRTs (Bus Rapid Transit) e uma linha de metrô, que já estão atraindo empresas, hotéis e novos moradores para a região. O centro, animado pelo projeto Porto Maravilha, passa por uma completa revitalização e atrai grandes investimentos em retrofit de prédios antigos. Sem mencionar a hotelaria, que deve receber 12 mil novos leitos até 2016.

Para arrematar a onda de otimismo, o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) veio para abrandar a violência nos morros, minimizando aquele que era um dos principais problemas do município. De quebra, a pacificação de favelas reavivou bairros adjacentes, elevou preços e atraiu lançamentos para áreas onde o mercado estava adormecido.

Moskow/Cidade Olímpica
O preço dos imóveis na capital fluminense subiu 34,9% em 2011, a maior valorização entre as sete cidades medidas pelo índice Fipe Zap
Investimentos em alta

Todos esses fatores conduziram o Rio a um renascimento econômico que está resgatando um potencial perdido em décadas passadas. "Durante anos a cidade ficou estagnada e perdeu mercado; muitas empresas adotavam a estratégia de fechar seus escritórios no Rio ou mudavam suas sedes para São Paulo e outros centros", comenta Claudio Hermolin, diretor geral da Even no Rio e vice-presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário). "Agora, as mudanças que estão acontecendo, a começar pelo alinhamento entre os governos federal, estadual e municipal, têm contribuído para que o Rio volte a ser uma cidade com potencial econômico significativo."

Em 2010 e nos primeiros dez meses de 2011, o Rio foi o Estado brasileiro com maior volume de investimentos empresariais, à frente de Minas Gerais e de São Paulo, de acordo com levantamento elaborado pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Os aportes batiam na casa dos US$ 40,78 bilhões entre janeiro e outubro do ano passado, mais que o dobro do anunciado durante todo o ano de 2010 - US$ 18,45 bilhões - e quase três vezes o volume previsto para Minas, que ocupou o topo do ranking entre 2006 e 2008.

Preços disparam

Junto com o aumento dos investimentos, a renda do carioca também cresceu. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio do paulista em dezembro de 2007 era 24,68% maior que o do carioca. Essa diferença foi se estreitando ao longo dos anos e encolheu para 9,12% em dezembro de 2010, quando a renda média foi de R$ 2.204,81 em São Paulo e de R$ 2.020,52 no Rio.

Mais do que colocar dinheiro no bolso dos moradores, a ascensão do Rio de Janeiro tem levantado a autoestima da cidade, que parece recuperar o charme desfrutado em outras épocas. "O Rio resgatou o glamour que tinha perante o Brasil. As pessoas passaram a observá-lo não mais como a cidade problema, mas sim como a cidade da Olimpíada, da Copa, que está se remodelando e se preparando para isso", comenta João Paulo Matos, presidente da incorporadora Calçada.

Vale lembrar que a chegada de empresas na cidade significa também novos postos de trabalho e uma considerável migração vinda de outros Estados e até países. Alguns incorporadores já notam essa mudança no perfil dos compradores de imóveis. Um bom termômetro da retomada é a forte valorização imobiliária registrada na cidade. De acordo com o índice Fipe Zap, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2011, a variação dos preços de moradia chegou a inacreditáveis 155,4%.

Em São Paulo, onde a escalada de preços já é considerada excessiva por muitos especialistas, o índice subiu 123,8% no mesmo período. Tomando apenas o ano de 2011, a valorização no Rio foi de 34,9%, a maior entre as sete cidades medidas pelo Fipe Zap e bem acima da inflação de 6% medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

"Os apartamentos mais caros do Rio estão de frente para o mar e já ultrapassam preços de R$ 35 mil por metro quadrado privativo, por exemplo, nas avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira em Ipanema e Leblon, respectivamente", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). "De modo geral, o Rio tem os imóveis mais caros do Brasil, pois tem poucos terrenos e, ao mesmo tempo, uma demanda que vem sendo sistematicamente mal-atendida e, portanto, é muito maior que a oferta." 

Incorporadoras aproveitam o filão

De olho na valorização e nos novos vetores de crescimento que estão surgindo, incorporadoras e construtoras de outros Estados passaram a explorar o mercado carioca, engrossando a concorrência já acirrada na cidade. É o caso da Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário, que inaugurou sua regional carioca em abril de 2010. A empresa fez dois lançamentos em 2011 e fechou o ano com as vendas no Rio representando 25% do volume total da companhia. Para 2012 há mais dois projetos em aprovação e os planos de expansão da regional já estão traçados até 2015.

"Pelas perspectivas de crescimento do Rio, a cidade não poderia deixar de ser uma das praças base da QGDI. Não só por causa da Olimpíada e da Copa, mas porque o Rio é o segundo mercado imobiliário do Brasil, e uma empresa que pensa nacionalmente não pode desconsiderá-lo da sua atuação estratégica", comenta Pedro Cunha, diretor da regional da QGDI no Rio. "Antes de montarmos a regional estávamos sempre antenados em possíveis oportunidades no Rio. Quando veio o reforço do pré-sal e dos jogos, se tornou quase natural formar uma equipe na cidade para correr atrás de negócios."

Mesmo companhias que já atuavam no Rio de Janeiro têm aumentado a importância deste mercado no seu portfólio. "A Even enxerga hoje o Rio como uma praça fundamental para sua estratégia de crescimento. Em 2008 a cidade representava 3% do faturamento total da empresa e hoje esse número se aproxima dos 22%", revela Claudio Hermolin.

As oportunidades se abrem em praticamente todos os segmentos. Dos condomínios de luxo às obras industriais, das lajes corporativas às habitações de interesse social. Nas três reportagens a seguir, conheça os polos de desenvolvimento imobiliário que estão florescendo na capital e na região metropolitana, e saiba quais são as principais oportunidades do pujante mercado carioca.

The Rio Revival

The city of Rio de Janeiro - and its metropolitan area - has undergone profound changes that promise to raise it to a new level in the economic scenario. Its return to the spotlight is the result of a combination of factors. The first driving element came with the discovery of oil in the pre-salt layer, announced in 2006. The chain of the pre-salt is attracting new industries and service providers to the Metropolitan Region of Rio, shaking the economy and creating migration flows in cities as yet little explored. Next came the choice of the city as one of the branch offices of the 2014 World Cup and the host of the 2016 Olympics. Much more than the installation of sports parks, the games brought heavy investments in transportation and infrastructure and opened new areas of real estate development. To windup the wave of optimism, the UPPs (Pacifying Police Units) came to quell the violence in the hills, minimizing one of the main problems of the municipality. In addition, the pacification of the slums revived the adjacent neighborhoods, raised prices and attracted launchings into areas where the market was dormant.

Fonte: revista.construcaomercado.com.br
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